O grande homem é grande não porque suas particularidades individuais imprimiam uma fisionomia individual aos grandes acontecimentos históricos, mas porque é dotado de particularidades que o tornam o indivíduo mais capaz de servir às grandes necessidades sociais de sua época, surgidas sob a influência de causas gerais e particulares. Carlyle¹, em sua conhecida obra sobre os heróis, chama os grandes homens de iniciadores (Beginners). É um nome muito acertado. O grande homem é, precisamente, um iniciador, porque vê mais longe que os outros e deseja mais fortemente que outros. Resolve os problemas científicos colocados pelo curso anterior do desenvolvimento intelectual da sociedade, indica as novas necessidades sociais, criadas pelo desenvolvimento anterior das relações sociais, e toma a iniciativa de satisfazer a estas necessidades. É um herói. Não no sentido de que possa deter ou modificar o curso natural das coisas, mas no de que sua atividade constitui uma expressão consciente e livre deste curso necessário e inconsciente. Nisto reside a sua importância e toda a sua força. Mas esta importância é colossal e esta força é prodigiosa.
¹ Tomás Carlyle (1795/1881). Escritor e historiador inglês pertencente à burguesia.
Fonte: Trecho da obra “O papel do indivíduo na história”, de G. V. Plekhanov.
quinta-feira, 27 de janeiro de 2011
terça-feira, 25 de janeiro de 2011
Nossas Elites
Ainda é pertinente a discussão sobre classes sociais? Os mesmos elementos que decretaram “O fim da história” também aboliram as classes. Da noite para o dia deixaram de existir as classes e os antagonismos de classe. Hoje só existe o cidadão rico e o cidadão pobre e a passagem da categoria de cidadão pobre para a de rico se dá pelo esforço pessoal, ou, como dizia Rockfeller, através do trabalho árduo. No entanto, qualquer pessoa que olhar atentamente para a sociedade verá que as coisas são bem diferentes. Em todas as partes observa-se uma brutal estratificação social, e cada grupo de cada estrato cumpre um papel bem definido na sociedade. Então, para os que têm fome de saber e de mudança e não se deixam levar pela balela do “fim das classes”, o artigo abaixo, extraído de um livro que estou lendo, será muito interessante.
Nossas Elites
Elite é aquele corpo seleto de pessoas que maior influência exercem na organização e na condução de sua sociedade¹. Ela é formada por dois corpos principais: o patronato, que tira seu poderia da propriedade e exploração de empresas produtivas e de bancos; e o patriciado, formado pelos que mandam através do desempenho de cargos, como os políticos, os juízes, os generais, os tecnocratas, os administradores, os bispos, os principais jornalistas e tantos outros.
Às vezes tornam-se ambíguos, como no caso de empresários bem-sucedidos, que entram na política para exercer mais plenamente sua vontade de poder e de riqueza. Ou o dos patrícios, que exercem seus cargos para enriquecer, a fim de ingressarem no patronado. Mesmo quando distinguíveis, eles são essencialmente solidários, porque a função efetiva do patriciado é a ordenação legal e jurídica da sociedade, seu governo e a manutenção da ordem, para que o patronado possa exercer livremente sua função de gestor da economia.
Texto extraído do livro intitulado “O Brasil como problema”, do professor Darcy
Ribeiro
¹ Todos os grifos são meus
terça-feira, 28 de dezembro de 2010
Mais uma pérola da gerência de turno do Rio

Saiu ontem no Globo online a mais nova e genial idéia do gerente Cabral e seu comparsa, Beltrame, com aplausos e assobios da imprensa. A demagogia da vez é dobrar a premiação dos policiais que matarem menos “bandidos”. Quem cumprir as “metas” receberá R$ 3.000,00 ao final do semestre. No pódio da demagogia tem até segundo e terceiro lugar: R$ 2.000,00 para o segundo colocado e R$ 1.500,00 para o terceiro. Como é o calculo? Mate até cem vagabundos e ganhe três mil? Mate até 200 e ganhe dois mil? Será que essa “nova postura” do governo se deve a falta de espaço para amontoar os cadáveres produzidos pela polícia?
E o governo vem com mais essa num dos momentos mais sanguinários do Rio. É a militarização das favelas com as ditas UPP’s; a montagem de um regime de exceção no Complexo do Alemão e na Vila do Cruzeiro; a contratação de mais policiais do que médicos e professores; a remoção de favelas; o choque de ordem etc etc etc. E o mais triste é que o governo e a mídia estão conseguindo forjar uma base social significativa, que assiste e aplaude as políticas fascistas nas suas TVs de plasma dentro de condomínios fechados e com cerca eletrificada nos muros.
domingo, 26 de dezembro de 2010
Feliz Natal

Ho Ho Ho, que bom Natal. Mais de 2000 anos após o nascimento de Jesus seu sucesso e generosidade são imensos. O Papai Noel, muito bom e justo velhinho, presenteou o comércio com 20% de lucro a mais do que no Natal passado. Pelo visto, os patrões se comportaram direitinho esse ano; continuem assim e quem sabe ano que vem o presente seja de 30% a mais nas vendas. Já pensaram nisso? Que beleza! É a fé alheia financiando a sobrevida do Capitalismo moribundo.
segunda-feira, 20 de dezembro de 2010
Meu primeiro ano na UERJ

Em 2008 ingressei no cursinho pré-vestibular com o romântico objetivo de conquistar uma vaga na Universidade “pública”. Após dois anos, finalmente consegui realizar o tão sonhado objetivo. Agora, ao fim do meu primeiro ano na Academia, é legítimo fazer um balanço.
A palavra decepção talvez seja a que melhor defina meu sentimento; decepção com a organização do curso de Geografia especificamente e com a Universidade em geral; decepção com os professores...
Sobre o curso de Geografia...
Ao longo deste ano percebi algumas coisas escabrosas. O curso parece estar entregue às moscas, se fosse um balde d’água acho que daria dengue de tão parado e monótono, as discussões são parcas; a única discussão que deu uma agitada foi a referente a reestruturação curricular que a direção do instituto quer e está levando a cabo (ao que tudo indica, a reestruturação visa adequar melhor o currículo às necessidades do exigente mercado); faltam verbas para trabalho de campo; banheiros em péssimas condições; carroças nos lugares dos computadores no laboratório; ar-condicionado pifado etc etc etc...
Mas essas coisas que citei são futilidades perto de outras, como a terceirização dos docentes e pessoal administrativo e a certa inutilidade do curso. A terceirização já não é novidade e avança a passos largos na Universidade, pois reduz custos com mão-de-obra, o que gera vários problemas, como precarização das condições de trabalho. Sobre a certa inutilidade do curso, não digo que seja um peso morto, algo que deva ser extinto, não se trata disso. Digo que é inútil para aqueles que mais necessitam se apropriar dos conhecimentos produzidos na Universidade, o povo, em especial aqueles que moram próximo. Entretanto, a relação do curso não é com a população vizinha, mas sim com empresas que ficam sei lá onde e cujos interesses conhecemos bem.
Sobre os professores...
São, em geral, reacionários. Ficam empoleirados nos seus diplomas de doutores, achando que são os maiorais... doce ilusão. Também é evidente a má vontade que têm em ministrar aulas para alunos de graduação; segundo um dos professores (não reacionário), os docentes não gostam de dar aulas para a graduação porque conta pouco ponto na espécie de ranking acadêmico, é melhor ensinar alunos de pós-graduação... se for doutorado então, nem se fala.
Sobre a Universidade...
O contexto relatado é, obviamente, parte de uma história maior, se insere no contexto universitário e, em última análise, é parte indissociável da educação brasileira como um todo. Mas o que me interessa aqui é o contexto da minha Universidade. Em linhas gerais, os problemas do meu curso são os problemas dos demais cursos, com raras exceções.
O governo do Estado destina uma verba irrisória para a Universidade, e a cada ano diminui, descumprindo a Constituição Estadual. E olha que o Reitor é amiguinho do governador! Logo, vai pouco dinheiro para os cursos, com exceção de algumas vedetes (Direito, Medicina, Geologia...) que recebem mais dinheiro, inclusive de empresas privadas interessadas em patrocinar projetos de pesquisa ou com outros objetivos escusos. Os cursos como Matemática e Pedagogia, por exemplo, que não despertam a sanha de empresas, sequer têm ar-condicionado nas salas (para ser justo, uma ou outra sala tem ar). Mas isso não é o mais grave.
Na verdade, o que acho importante relatar aqui são minhas impressões sobre o papel da Universidade, que em nada tem a ver com aqueles princípios que muitos de nós sonhamos e que os professores Paulo e Darcy também vislumbraram. A educação a cada dia é colocada mais no mercado, como ocorre com tudo mais que potencialmente possa ser vendido. O ensino público é depredado em proveito do ensino particular e a Universidade se transforma mais e mais em fábrica de mão-de-obra “qualificada”. E é aqui que gostaria de chegar.
O que mais me indignou na UERJ é essa condição de produtora de mão-de-obra para o mercado. O atendimento ao mercado implica o não atendimento à população que sustenta a Universidade, mas que não colhe os frutos. Outra implicação importante dessa situação é a disparidade existente entre os cursos; enquanto alguns (Direito, Geologia etc.) recebem mais verbas, pois são mais interessantes para o mercado, outros (a maioria) são largados quase a própria sorte, como relatei acima.
E mesmo com todos esses problemas que compartilho com vocês, a Universidade cinicamente criou um programa chamado “UERJ sem muros”. O programa consiste em “abrir” a Universidade ao público, aproximá-la da comunidade circunvizinha durante alguns dias do ano. Ora, a Universidade deve ser sem muros durante todo o tempo e não apenas durante alguns dias escolhidos no ano. Mas para que a Universidade derrube seus muros e se integre à comunidade, é preciso que mude o seu papel, o que infelizmente parece estar longe de acontecer.
sexta-feira, 9 de julho de 2010
Nuvens de tormenta sobre o Irã
Em artigo, intelectual avalia os indícios da preparação de um possível ataque norte-americano ao Irã
Por Noam Chomsky
A grave ameaça representada pelo Irã é considerada uma das piores crises de política externa que a administração Obama enfrentará. O Congresso acaba de enrijecer as sanções contra o país, com punições mais severas para as companhias estrangeiras que comercializarem com o Irã. A administração expandiu ainda a capacidade ofensiva norte-americana na ilha africana Diego Garía, reforçada pelo Reino Unido, que expulsou a população local para que os Estados Unidos (EUA) pudessem construir ali uma grande base de ataque ao Oriente Médio e à Ásia Central.
A marinha estadunidense informou sobre o envio de uma equipe para a ilha, destinada à manutenção de submarinos portadores de mísseis Tomahawk, que, por sua vez, podem transportar ogivas nucleares. De acordo com o relatório da Marinha obtido pelo Sunday Herald (Glasgow), o equipamento militar inclui 387 bombas ‘destruidoras de bunkers’, que podem explodir estruturas subterrâneas reforçadas. "Eles estão ativando a engrenagem para a destruição do Irã", disse o diretor do Centro para Estudos Internacionais e Diplomacia da Universidade de Londres, Dan Plesch, ao jornal. "Os bombardeiros e mísseis de longo alcance estão prontos para destruir 10 mil alvos no Irã, em poucas horas", completa.
A imprensa árabe informa que uma frota americana (com um navio israelense) passou recentemente pelo Canal de Suez a caminho do Golfo Pérsico, onde sua missão era "implementar sanções contra o Irã e controlar os navios que entram e saem deste país". A mídia britânica informou também que Israel e Arábia Saudita estão formando um corredor para um possível bombardeio israelense contra o Irã (o que é negado pelos sauditas).
Retornando de uma visita ao Afeganistão para tranquilizar seus aliados na OTAN - após a demissão do general Stanley McChrystal - o almirante Michael Mulleno, chefe de Estado-Maior conjunto, visitou Israel para se reunir com o chefe das Forças Armadas e Militar de Israel, Gabi Ashkenazi, para manter, assim, o diálogo ‘estratégico’ entre as duas nações. A pauta central da reunião foi "a preparação de Israel e dos EUA ante a possibilidade de um Irã com capacidade nuclear", segundo o jornal Haaretz, que também informou que Mulleno enfatizou: "Eu sempre tento ver os desafios do ponto de vista de Israel".
Alguns analistas descrevem a ameaça iraniana em termos apocalípticos. "Os EUA devem enfrentar o Irã ou entregar o Oriente Médio", disse Amitai Etzioni. Se o programa nuclear do Irã se concretiza, segundo ele, Turquia, Arábia Saudita e outros estados se "movimentarão" em alinhamento a nova superpotência na região. Em uma retórica menos fervorosa, isto significa que uma aliança regional independendo dos EUA poderia se conformar.
Na revista do exército estadunidentes Military Review, Etzioni clama aos EUA não só um ataque contra as instalações nucleares do Irã, mas também contra seus ativos não nucleares, incluindo a infraestrutura do país, ou seja, a sociedade civil. "Esse tipo de ação militar é semelhante às sanções: causar danos visando mudar condutas, ainda que por meios mais potentes", escreve ele.
Uma avaliação oficial sobre a ameaça iraniana foi realizada em um relatório do Departamento de Defesa norte-americano submetido ao Congresso em abril passado. Os gastos militares do Irã são "relativamente baixos em relação ao resto da região", afirma o documento. A doutrina militar do Irã é estritamente "defensiva (...) destinada a retardar uma invasão e forçar uma solução diplomática aos conflitos". Ele ainda afirma que "o programa nuclear iraniano e sua vontade de manter em aberto a possibilidade de desenvolver armas nucleares (são) uma parte central de sua estratégia de dissuasão".
Para Washington, a capacidade de dissuasão do Irã é um exercício ilegítimo de soberania que interfere na geopolítica global e, especificamente, ameaça o controle estadunidense sobre os recursos energéticos do Oriente Médio. Mas a ameaça do Irã vai além da dissuasão. Teerã também está buscando ampliar sua influência na região, em contraposição a invasões e ocupações militares ‘estabilizadoras’ promovidas pelos EUA nos países vizinhos. “Para além destes crimes, o Irã está apoiando o terrorismo por meio do respaldo que dá ao Hezbollah e Hamas - as principais forças políticas no Líbano e na Palestina”, complementa o relatório do Pentágono.
O modelo de democracia no mundo muçulmano, apesar de suas falhas graves, seria a Turquia, onde as eleições são relativamente livres. A administração Obama ficou indignada quando este país se uniu ao Brasil para buscar um acordo com o Irã em relação às restrições em seu programa de enriquecimento de urânio. Os EUA reprimiram rapidamente o acordo, apresentando uma resolução no Conselho de Segurança da ONU com novas sanções contra o Irã – tão sem sentido que foi imediatamente endossada pela China, para quem, na melhor das hipóteses, a resolução evitaria a competição dos países ocidentais pelos recursos do Irã. Assim, sem nenhuma surpresa, Turquia e Brasil votaram contra a medida norte-americana, enquanto o Líbano se absteve.
Estas ações causaram um constrangimento ainda maior em Washington. Philip Gordon, o diplomata da administração Obama em assuntos europeus, advertiu a Turquia que suas ações não agradavam os EUA e que o país deveria "demonstrar seu compromisso de aliada ao Ocidente", segundo informações da Associated Press. A advertência a um aliado crucial na OTAN é uma atitude rara e a comunidade política parece concordar. Steven A. Cook, um especialista do Conselho de Relações Exteriores, afirma que a questão crucial é: "Como manter os turcos no seu caminho?" – ou seja, seguindo ordens como um bom país democrata.
Não há sinais de que outros países da região sejam mais favoráveis às sanções norte-americanas do que a Turquia. Paquistão e Irã se reuniram em Ancara, onde recentemente assinaram um acordo para a construção de um novo gasoduto. Mais preocupante para os EUA é que o gasoduto poderia ser estendido para a Índia. O tratado de 2008, em que os norte-americanos apóiam os programas nucleares da Índia, busca justamente impedir que este país se una ao gasoduto, de acordo com a avaliação de Moeed Yusuf, conselheiro em assuntos do Sul da Ásia no Instituto de Paz dos EUA.
A Índia e o Paquistão são duas das três potências nucleares que se recusaram a assinar o Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP). Israel é o terceiro. Todos eles produziram - e ainda produzem - armamentos nucleares com o apoio dos EUA.
Nenhuma pessoa em sã consciência quer que o Irã ou qualquer outro país passe a desenvolver armas nucleares. Uma maneira óbvia para atenuar ou eliminar esta ameaça é estabelecer uma zona livre de armas nucleares no Oriente Médio. Esta questão foi levantada (de novo) na conferência para o TNP nas Nações Unidas, no início de maio. O Egito - como o presidente do Movimento dos Países Não-Alinhados, que inclui 118 países - propôs que a Conferência aprovasse um plano para iniciar a negociação para um Oriente Médio livre de armas nucleares em 2011, como foi feito pelo Ocidente, incluindo os EUA, em 1995. Washington ainda esta formalmente de acordo, mas insiste que Israel seja isento de cumprir o acordo, e não deu qualquer indicação de que o próprio EUA irá fazê-lo.
Ao invés de tomar medidas concretas para combater a ameaça de proliferação nuclear no Irã ou outros países, os EUA estão se movimentando para reforçar seu controle nas principais regiões produtoras de petróleo no Oriente Médio, usando inclusive a violência, se não alcançam seus objetivos por outros meios.
Fonte: site da revista Caros amigos
MINHAS REFLEXÕES
Como podemos ver pela leitura do artigo do professor Chomsky, os EUA e o seu capacho Estado de Israel podem ter um sombrio plano de ataque militar contra o Irã, o mais novo país escolhido pelos yankees como inimigos da Democracia e do "bem-estar mundial". Pois bem: se forem verdadeiros os planos dos EUA de invadir o Irã o motivo seria somente o de que o país muçulmano não tem respeitado os "acordos internacionais" de não proliferação de armas nucleares? Creio que não. Lembremos que o capital está mergulhado numa crise de superprodução e uma das saídas clássicas da burguesia é a guerra, que é a maneira mais rápida de destruir a abundância e, com isso, abre-se a possibilidade de uma nova rodada de crescimento das forças produtivas do capital.
Todavia, acho improvável que os EUA recorram a guerra, pois já estão atolados em duas (Afeganistão e Iraque) e seria muito difícil abrir outra frente. Também é importante lembrar que uma guerra de grandes proporções poderia ameaçar nosso futuro enquanto espécie, por conta das armas nucleares.
Por Noam Chomsky
A grave ameaça representada pelo Irã é considerada uma das piores crises de política externa que a administração Obama enfrentará. O Congresso acaba de enrijecer as sanções contra o país, com punições mais severas para as companhias estrangeiras que comercializarem com o Irã. A administração expandiu ainda a capacidade ofensiva norte-americana na ilha africana Diego Garía, reforçada pelo Reino Unido, que expulsou a população local para que os Estados Unidos (EUA) pudessem construir ali uma grande base de ataque ao Oriente Médio e à Ásia Central.
A marinha estadunidense informou sobre o envio de uma equipe para a ilha, destinada à manutenção de submarinos portadores de mísseis Tomahawk, que, por sua vez, podem transportar ogivas nucleares. De acordo com o relatório da Marinha obtido pelo Sunday Herald (Glasgow), o equipamento militar inclui 387 bombas ‘destruidoras de bunkers’, que podem explodir estruturas subterrâneas reforçadas. "Eles estão ativando a engrenagem para a destruição do Irã", disse o diretor do Centro para Estudos Internacionais e Diplomacia da Universidade de Londres, Dan Plesch, ao jornal. "Os bombardeiros e mísseis de longo alcance estão prontos para destruir 10 mil alvos no Irã, em poucas horas", completa.
A imprensa árabe informa que uma frota americana (com um navio israelense) passou recentemente pelo Canal de Suez a caminho do Golfo Pérsico, onde sua missão era "implementar sanções contra o Irã e controlar os navios que entram e saem deste país". A mídia britânica informou também que Israel e Arábia Saudita estão formando um corredor para um possível bombardeio israelense contra o Irã (o que é negado pelos sauditas).
Retornando de uma visita ao Afeganistão para tranquilizar seus aliados na OTAN - após a demissão do general Stanley McChrystal - o almirante Michael Mulleno, chefe de Estado-Maior conjunto, visitou Israel para se reunir com o chefe das Forças Armadas e Militar de Israel, Gabi Ashkenazi, para manter, assim, o diálogo ‘estratégico’ entre as duas nações. A pauta central da reunião foi "a preparação de Israel e dos EUA ante a possibilidade de um Irã com capacidade nuclear", segundo o jornal Haaretz, que também informou que Mulleno enfatizou: "Eu sempre tento ver os desafios do ponto de vista de Israel".
Alguns analistas descrevem a ameaça iraniana em termos apocalípticos. "Os EUA devem enfrentar o Irã ou entregar o Oriente Médio", disse Amitai Etzioni. Se o programa nuclear do Irã se concretiza, segundo ele, Turquia, Arábia Saudita e outros estados se "movimentarão" em alinhamento a nova superpotência na região. Em uma retórica menos fervorosa, isto significa que uma aliança regional independendo dos EUA poderia se conformar.
Na revista do exército estadunidentes Military Review, Etzioni clama aos EUA não só um ataque contra as instalações nucleares do Irã, mas também contra seus ativos não nucleares, incluindo a infraestrutura do país, ou seja, a sociedade civil. "Esse tipo de ação militar é semelhante às sanções: causar danos visando mudar condutas, ainda que por meios mais potentes", escreve ele.
Uma avaliação oficial sobre a ameaça iraniana foi realizada em um relatório do Departamento de Defesa norte-americano submetido ao Congresso em abril passado. Os gastos militares do Irã são "relativamente baixos em relação ao resto da região", afirma o documento. A doutrina militar do Irã é estritamente "defensiva (...) destinada a retardar uma invasão e forçar uma solução diplomática aos conflitos". Ele ainda afirma que "o programa nuclear iraniano e sua vontade de manter em aberto a possibilidade de desenvolver armas nucleares (são) uma parte central de sua estratégia de dissuasão".
Para Washington, a capacidade de dissuasão do Irã é um exercício ilegítimo de soberania que interfere na geopolítica global e, especificamente, ameaça o controle estadunidense sobre os recursos energéticos do Oriente Médio. Mas a ameaça do Irã vai além da dissuasão. Teerã também está buscando ampliar sua influência na região, em contraposição a invasões e ocupações militares ‘estabilizadoras’ promovidas pelos EUA nos países vizinhos. “Para além destes crimes, o Irã está apoiando o terrorismo por meio do respaldo que dá ao Hezbollah e Hamas - as principais forças políticas no Líbano e na Palestina”, complementa o relatório do Pentágono.
O modelo de democracia no mundo muçulmano, apesar de suas falhas graves, seria a Turquia, onde as eleições são relativamente livres. A administração Obama ficou indignada quando este país se uniu ao Brasil para buscar um acordo com o Irã em relação às restrições em seu programa de enriquecimento de urânio. Os EUA reprimiram rapidamente o acordo, apresentando uma resolução no Conselho de Segurança da ONU com novas sanções contra o Irã – tão sem sentido que foi imediatamente endossada pela China, para quem, na melhor das hipóteses, a resolução evitaria a competição dos países ocidentais pelos recursos do Irã. Assim, sem nenhuma surpresa, Turquia e Brasil votaram contra a medida norte-americana, enquanto o Líbano se absteve.
Estas ações causaram um constrangimento ainda maior em Washington. Philip Gordon, o diplomata da administração Obama em assuntos europeus, advertiu a Turquia que suas ações não agradavam os EUA e que o país deveria "demonstrar seu compromisso de aliada ao Ocidente", segundo informações da Associated Press. A advertência a um aliado crucial na OTAN é uma atitude rara e a comunidade política parece concordar. Steven A. Cook, um especialista do Conselho de Relações Exteriores, afirma que a questão crucial é: "Como manter os turcos no seu caminho?" – ou seja, seguindo ordens como um bom país democrata.
Não há sinais de que outros países da região sejam mais favoráveis às sanções norte-americanas do que a Turquia. Paquistão e Irã se reuniram em Ancara, onde recentemente assinaram um acordo para a construção de um novo gasoduto. Mais preocupante para os EUA é que o gasoduto poderia ser estendido para a Índia. O tratado de 2008, em que os norte-americanos apóiam os programas nucleares da Índia, busca justamente impedir que este país se una ao gasoduto, de acordo com a avaliação de Moeed Yusuf, conselheiro em assuntos do Sul da Ásia no Instituto de Paz dos EUA.
A Índia e o Paquistão são duas das três potências nucleares que se recusaram a assinar o Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP). Israel é o terceiro. Todos eles produziram - e ainda produzem - armamentos nucleares com o apoio dos EUA.
Nenhuma pessoa em sã consciência quer que o Irã ou qualquer outro país passe a desenvolver armas nucleares. Uma maneira óbvia para atenuar ou eliminar esta ameaça é estabelecer uma zona livre de armas nucleares no Oriente Médio. Esta questão foi levantada (de novo) na conferência para o TNP nas Nações Unidas, no início de maio. O Egito - como o presidente do Movimento dos Países Não-Alinhados, que inclui 118 países - propôs que a Conferência aprovasse um plano para iniciar a negociação para um Oriente Médio livre de armas nucleares em 2011, como foi feito pelo Ocidente, incluindo os EUA, em 1995. Washington ainda esta formalmente de acordo, mas insiste que Israel seja isento de cumprir o acordo, e não deu qualquer indicação de que o próprio EUA irá fazê-lo.
Ao invés de tomar medidas concretas para combater a ameaça de proliferação nuclear no Irã ou outros países, os EUA estão se movimentando para reforçar seu controle nas principais regiões produtoras de petróleo no Oriente Médio, usando inclusive a violência, se não alcançam seus objetivos por outros meios.
Fonte: site da revista Caros amigos
MINHAS REFLEXÕES
Como podemos ver pela leitura do artigo do professor Chomsky, os EUA e o seu capacho Estado de Israel podem ter um sombrio plano de ataque militar contra o Irã, o mais novo país escolhido pelos yankees como inimigos da Democracia e do "bem-estar mundial". Pois bem: se forem verdadeiros os planos dos EUA de invadir o Irã o motivo seria somente o de que o país muçulmano não tem respeitado os "acordos internacionais" de não proliferação de armas nucleares? Creio que não. Lembremos que o capital está mergulhado numa crise de superprodução e uma das saídas clássicas da burguesia é a guerra, que é a maneira mais rápida de destruir a abundância e, com isso, abre-se a possibilidade de uma nova rodada de crescimento das forças produtivas do capital.
Todavia, acho improvável que os EUA recorram a guerra, pois já estão atolados em duas (Afeganistão e Iraque) e seria muito difícil abrir outra frente. Também é importante lembrar que uma guerra de grandes proporções poderia ameaçar nosso futuro enquanto espécie, por conta das armas nucleares.
quarta-feira, 7 de abril de 2010
Enxurrada de água e de descaso do Estado no Rio de Janeiro

Desde segunda-feira cai uma chuva torrencial no Rio de Janeiro e, com ela, caem casas, famílias, sonhos e esperanças. Caem também arrogâncias, fingimentos, máscaras. Segundo a Defesa Civil o nº de mortos chega a 110 e provavelmente aumentará por conta dos desaparecidos. São muitos desabrigados, desalojados, ilhados; vários bairros ficaram embaixo d’água; trabalhadores que não conseguiram voltar para casa na segunda-feira dormiram nos ônibus, nas ruas, no trabalho e os que tinham mais dinheiro pernoitaram em hotéis. Na terça-feira, escolas, universidades, prédios públicos e empresas não abriram as portas; o transporte, que já é precário, colapsou; ônibus não conseguiam transitar, o metrô continuou a circular, todavia com atrasos, várias estações de trem estão fechadas e vários vôos estão atrasados ou foram cancelados.
Diante dessa situação catastrófica, cabe-nos perguntar o motivo de o Rio de Janeiro ter se comportado tão mal frente à chuva e podemos perceber basicamente duas opiniões distintas:
1) O primeiro grupo é o dos conservadores, que colocam a culpa no excesso de chuva, no acúmulo de lixo, que impedem o escoamento da água, e nas pessoas que constroem suas casas precariamente em áreas de risco.
2) O segundo grupo diz que a culpa é do Estado.
Vale, pois, analisar as duas proposições, a fim de tirar algumas conclusões.
A primeira sentença é enganosa, visto que a água e o lixo não podem ser apontados como causa e, antes de culpar as pessoas que constroem casas em áreas de risco, como se fossem loucas, é preciso saber por que levantam suas casas em tais locais e não em outros “mais seguros”. A segunda sentença é verdadeira e portanto merece maior atenção.
Uma das características mais marcantes do subdesenvolvimento é a urbanização caótica, e como o Rio de Janeiro faz parte do Brasil, que é um país subdesenvolvido, não foge a essa lógica. A favelização foi e é intensa, ocasionada por diversos fatores, entre os quais: falta de política pública concreta de habitação, desemprego, informalidade, especulação imobiliária e concentração fundiária no campo. Atrelado a favelização existe a ineficiente e insuficiente ampliação e melhoria da infra-estrutura, como o sistema de drenagem. E, na confluência desses fatores com a grande quantidade de chuva, o resultado não poderia ser outro, senão o descrito acima. Se o Estado fizesse minimamente o seu papel, a situação hoje seria outra.
Assinar:
Postagens (Atom)